domingo, 29 de maio de 2011

A MAGNITUDE DO SERVO

            As lembranças da minha juventude emaranhadas entre as histórias e fatos da época, trazem-me à memória,  de vez em quando, ocorrências que se passavam  envolvendo funcionários das diversas ordens e hierarquias, “chefes”, “diretores”e especialmente, “assessores  de determinadas castas” que  acobertados por um direito sem direito, por uma verdade imaginária, por um pudor despudorado, por uma força fraquejada, por uma autoridade desautorizada, e com base num poder que só se expressava no grito, pelo qual tentavam calar os incautos e sufocar os inocentes...  Foi por essa época que apareceu aquela “autoridade” que para que soubessem quem ela era, dizia: VOCÊ SABE COM QUEM ESTÁ FALANDO?  E essa frase palmilhou as entranhas das “glórias inglórias” e caminhou século vinte um a dentro... E, até hoje ainda há os que dela necessitam, para que o “mundo” pense que são o que nunca foram e jamais serão! Pois, quem é, não necessita dizer que é.
          É pensando nessas coisas que me vem à mente aquela história que abre o capitulo dezessete do primeiro livro dos Reis. Elias e a seca. Elias se apresenta ao rei Acabe e diz de forma enfática: “Em nome do SENHOR, o Deus vivo de Israel, de quem sou servo...” Era apenas um servo, ele nem chegou logo dizendo – eu sou um Profeta.  Certamente se fora no nosso contesto cultural, aquele tesbita, teria ouvido do rei – você sabe com quem está falando?  Ou quem sabe se aquele homem de Deus teria usado  essa expressão especial, para que o rei o reconhecesse.
Qual é a nossa função no Reino de Deus?
          Esta e muitas outras passagens bíblicas fortalecem a humilde alma dos servos de Deus, além de nos ensinar sobre a importância e a magnitude do significado de servir. Descobrimos o valor de confiar naquele a quem servimos e a importância de fazer exatamente, de acordo com a ordem recebida, pouco importa com quem estejamos falando ou com a dureza do recado a ser passado. Sim, refiro-me ao verdadeiro recado do Deus Altíssimo, e não aos recados de interesses particulares, pois, há homens de Deus, e “homens de deus”.
          Qual é a nossa função no reino de Deus? Qual o tipo de autoridade de que estamos investidos? Estamos entre aquelas que podem, querem e mandam?  Ou entre aqueles que  refletem simplesmente, a grandeza e a magnitude de servos? E se assim estivermos, temos exercido o nosso papel de modo generoso, feliz, e com alegria? Ainda que o mundo não nos reconheça?  Pois é, queridos, uma coisa que muito deve nos animar a servir, é que no nosso encontro final com o SENHOR, não ouviremos as palavras: pastor bom e fiel, presbítero bom e fiel, diácono bom e fiel, jovem bom e fiel, professor bom e fiel, doutor bom e fiel, menina boa e fiel... Ouviremos, sim: SERVO BOM E FIEL! “Fostes fiel no pouco, sobre o muito te colocarei.’’ Aí, reside a grandeza de ser servo do SENHOR, o Deus vivo de Israel.
O SENHOR nos abençoe!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

A ORAÇÃO DO LIDER

            SENHOR, dirigimo-nos a Ti, no fixar dos nossos pensamentos, no pronunciar das nossas palavras, e nos atos da nossa vida, e assim expressamos a nossa adoração... E sentimos paz.

Senhor, por haver-nos escolhido, ainda que não mereçamos, e aspergido sobre nós a tua unção, somos-te profundamente  gratos. Ensina-nos, pelo teu Espírito, a fazer uso da AUTORIDADE que nos outorgaste, de modo que pensemos com Tua mente, falemos com a linguagem do Teu coração, e que as nossas ações realizem com simplicidade, os teus SERVIÇOS. Conduze-nos a palmilhar os passos da HUMILDADE, a exemplo do Senhor e Mestre, Jesus.

         Sustenta-nos na caminhada responsável da nossa missão, para que sejamos  exemplos de COMPROMISSO, contigo e com o teu  rebanho que nos deste a cuidar, para que se cumpra em nós a Palavra dita pelo teu filho Pedro: “Apascentai o rebanho de Deus que está entre vós... de BOA VONTADE”
 (I Pe.5:2.)
         Concede-nos oh Pai, SABEDORIA, para discernirmos e fazermos sempre, a tua vontade,  para compreendermos que a unção que está sobre nós, não visa a nos elevar ao podium como vitoriosos acima dos nossos irmãos, MAS, a  nos promover à honrosa condição de SERVOS.
         SENHOR permite-nos ver em  cada instante, cada fato, cada episódio, cada perda, cada alegria, como espelho, para vislumbrar na nossa finitude, o magnífico esplendor de Tua glória.
         Obrigado Pai, porque nos criaste, escolheste, acolheste-nos no Teu aprisco, e com honras nos chamastes, em AMOR, para  Te SERVIR.
            Recebe a nossa oração e ajuda-nos a cumprir o que aqui rogamos, sob a doçura e terna mão do Teu Espírito. Por Jesus o Teu Filho... Amém

terça-feira, 24 de maio de 2011

A LINGUAGEM DOS SINOS

      Em tempos memoráveis de minha infância, o meu pai, o evangelista Zacarias Salvador, a minha mãe Regina, e eu, fomos morar em Itaporanga, no vale do Piancó, onde dava-se inicio a um trabalho evangélico, sob os auspícios de uma Missão Pentecostal oriunda da Inglaterra, hoje ACEV.  O irmão Zacarias era o dirigente local. Fomos morar na Rua do Rosário cujo marco principal era uma imponente Igreja Católica Romana, cujo sino badalava em todos os momentos que antecediam as práticas religiosas e por ocasião da morte de pessoas, que dependendo da sua importância  batiam por mais ou por menos tempo.
       Um dia, junto a outras personalidades do meu mundo infantil ouvimos badaladas diferentes, tensas, longas e muito mais demoradas do que o normal. Corremos para as proximidades da Igreja e vimos o sino girando sobre si, para nós ele estava dando “canga pé” então descobrimos que o Papa havia morrido... Lembro-me hoje, como eram pomposos os toques e distintas as badaladas... Mais de meio século depois, me questiono:
O que os sinos nos dizem? Como traduzimos os sons do seu bronze, que retinem pelos páramos de gerações e gerações? Às vezes apanho-me desejando pastorear um rebanho em cuja Igreja existisse um campanário e neste um afinado sino, para ouvi-lo tocar não o chamado dos que vão e voltam e não sabem por que o fazem, ou o toque das chamadas dos mortos “importantes”, alertando que os vivos sequer sabem até onde o espaço torna inaudível e ineficaz os sons propagados pelo bronze inerte e frio.
O meu sonho seria de ter no campanário da Igreja um sino que ecoasse o chamado dos perdidos e apontasse o caminho da vida! Um sino cujos sons  alertassem do perigo os incautos, que trouxessem à memória as palavras da vida e expressassem o chamado das ovelhas para o aprisco do Eterno Senhor. Desejaria ouvir os sinos da alegria, da harmonia, da fé e da paz, que me chamassem para um encontro e não para um local, para vida e não para morte, para inicio e não para o fim. O meu sonho seria de ouvir o seu som como sinal definitivo de vinde, à proteção do Bom Pastor e como aceno de portas que se abrem para receber as ovelhas perdidas de Israel.
Desejo ouvir o toque da esperança e não dos desenganos, da alegria e não da tristeza, da paz e não da guerra, almejo afinal, ouvir no toque ao pôr-do-sol, as badaladas de um perene renascer.

Rev. José Salvador Pereira

Igreja Presbiteriana do Brasil

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