quarta-feira, 29 de junho de 2011

SEM MEDO DA SOLIDÃO


 Numa tarde muito fria, estava sendo anunciado o maior frio dos últimos cem anos em São Paulo, na noite anterior chegara a 4 graus, caminhava pelo centro, ali pelos imediações da praça da Republica e adjacências. Observei que as multidões movimentavam-se, indo e voltando, parando, comprando, falando, gritando, vendendo, entrando e saindo das lojas, e muitos cameloteando... Eram tantas pessoas que ainda se divididas seriam multidões.
         Repentinamente, envolveu-me um medo tão forte quanto indescritível... Senti-me só... Em minha volta milhares de pessoas, mas eu estava sozinho. Os pensamentos me envolviam com questionamentos os mais cruéis: E se acontecer alguma coisa comigo aqui, ninguém me conhece, e se, e se, e se... Ali estava eu, e quando deveria me considerar o homem mais acompanhado do mundo, sentia-me simplesmente perdido, estava hospedado no Maksud Plaza, bem próximo do local em que me encontrava, mas o medo maculou a minha memória e empanou-me o tino, e aparentemente havia perdido o sentido de direção... E por alguns instantes eu não sabia de fato, o que fazer.
Já aconteceu algo semelhante em sua vida, de sentir-se
sozinho ainda que em meio a muitas pessoa?
          Já aconteceu algo semelhante em sua vida, de sentir-se sozinho ainda que em meio a muitas pessoas?
           Eu havia pregado no domingo anterior, uma mensagem com base em Mq. Cap. 7: l a 8, com o titulo: QUANDO NADA PARECE DAR CERTO .  Eu havia dito – a)As circunstâncias em que nos envolvemos, não impedem A Visão de Deus sobre Nós; b)Por mais densa que for a multidão, Deus nos vê no meio dela;  c) Por mais ensurdecedor que seja o barulho do mundo, o  nosso Deus nos ouvirá.
           De pronto, encostei-me numa parede, orei ao Senhor, e ali, mesmo entre milhares de outras vozes e do barulho intenso da cidade grande, Ele me ouviu e  me acudiu. “O Deus da minha salvação e me ouviu” Mq.7:7. O Senhor tirou de mim o medo, limpou a minha mente, recobrou a minha confiança... Tudo voltou ao normal. Tirei desse momento, uma grande lição: apesar das nossas fragilidades, o nosso Deus continuará forte, maravilhosamente cuidadoso e nunca nos deixará sozinhos. E, não podemos esquecer o que disse o nosso Senhor Jesus – “Eis que estou convosco todos os dias”...

terça-feira, 21 de junho de 2011

UMA LUZ BRILHOU NA ACAUÃ



"O povo que andava em trevas, viu grande luz, e aos que viviam 
na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz" Is. 9.2
Prata - Cariri Paraibano

As luzes dos anos trinta começavam a dar sinal de adeus, e os anos quarenta vibravam os tambores de sua entrada triunfal, trazendo esperanças de melhores tempos para o povo do Carirí paraibano. E, apesar das profundas carências e lastimáveis descuidos dos poderes públicos, à época, com a região, o seu povo estava acostumado a tirar do nada, o seu sustento e da seca, fazer jorrar fontes para matar a sua sede de paz, amor e de esperanças.
No distrito de Prata, então município de Monteiro, havia um sitio chamado Acauã. Em sua volta famílias variadas, juntavam-se por interesses os mais diversos, inclusive pelos caminhos matrimoniais. Assim, os Dantas, Os Gonçalves, os Nunes, os Conservas, os Salvador, os Prata, os Aleixo, e os Vieiras além de outros. Possuidores de grandes e pequenas propriedades, ali viviam e sobreviviam em torno de roçados de milho, feijão, arroz (menos) e da nossa principal riqueza local, o algodão.
Ainda criança, lembro-me do primeiro caminhão, cabine de madeira, adquirido por Pedro Salvador, tio do meu pai, e pai de uma grande família, na qual se inclui Jessé Salvador de Lima.
Foi aí nos finais dos anos trinta e inicio dos quarenta, que um homem chamado Hilário, parente dos meus bisavós, chegou à Acauã com umas idéias diferentes, e uma conversa que ainda que desse medo, parecia ligar um interruptor da única luz possível na vastidão da dúvida e da escuridão espiritual. Ele anunciava a Jesus Cristo, como solução única para a salvação da alma... Chocou, mas aconteceu...De repente, neste dito local, foi construída a primeira igreja evangélica de que se tem notícia no distrito da Prata...
A nossa família, os Salvador, a essa altura já unidos aos Conservas, (por obra e graça do Casamento de Tertulina ( minha avó), com Seu Lulu), morávamos a exatos cinqüenta metros da igrejinha.

UMA LEMBRANÇA FELIZ


Igreja Pentecostal  na Prata-PB
Um dia, aos quatro anos de idade, no tempo em que todos os meninos da minha época, especialmente nos sítios andavam nus, brincando pela frente daquela igrejinha, resolvi entrar (foi a minha primeira vez). Era domingo pela manhã, um pastor, que posteriormente descobri chamar-se Zacarias Vieira, estava pregando, e o que ouvi chocou a minha alma de  criança e mudaria para sempre a vida daquele menino desnudo, e que ainda não sabia diferenciar o propósito do céu ou os descaminhos do inferno. O irmão Zacarias dizia assim: “Quem crer será salvo e quem não crer será condenado... ou seja quem não receber Jesus como o seu salvador, será condenado e vai para o inferno”.  Senti imediatamente que inferno era coisa ruim e eu não queria ir morar lá.
Não foi o tom de voz do irmão Zacarias, ele não me fazia medo. Foi o doce tom de voz do Espírito Santo, a me convencer da verdade que mudou a minha vida. No domingo seguinte eu já estava lá, agora vestido, aprendendo as primeiras letras das sagradas escrituras... ”Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos” Sl 119: 115.

A luz que aqui brilhava, haveria de expandir-se, pois, os que daqui saíram não esconderam as suas candeias, mas anunciaram Brasil a fora, as verdades do evangelho. Muitos pastores nasceram nesta terra (Acauã) ou dela descendem, a exemplo de Zacarias Vieira, Cesário de Paula, Josias Conserva, Misael Conserva, Cesário Jr., meu pai Zacarias Salvador, que plantou diversas igrejas no sertão da Paraíba, que me serviu de mestre, e exemplo de vida na divulgação do nome de Jesus, Brasil a fora, bem como, muitos outros (as) missionários (as), saídos das terras férteis de amor e fé, chamada Acauã.

HISTÓRIA DE UM MILAGRE

O Tio Pedro Salvador , um homem próspero, e partícipe das lideranças dominantes da região, era fazendeiro, dono do único Engenho de cana-de-açúcar, e proprietário dos primeiros veículos do lugar, sendo, portanto, um nome de destaque público. Ele era possuidor de uma qualidade marcante para a sua época – ele era profundamente religioso, confessava a fé de um verdadeiro Católico Apostólico Romano. Chegou a construir entre a sua residência, (na vila, do outro lado do rio) e um serrote ali existente, “estações”, com uma grande cruz em cada ponto, até o elevado, onde após as procissões, eram feitas rezas e as celebrações marcantes da sua fé.
Pedro Salvador, era casado com Antonia Gomes de Lima, de quem nasceram os filhos, Maria José( Mocinha), Nazaré, Luzinete, Marlene, Graciane, Jessé, Jenessé, Jessiel, e Salim.

UMA VIDA EM  DESTAQUE

Entre todas essas pessoas, chama à atenção, a vida de um dos filhos do Tio Pedro Salvador – Jessé Salvador de Lima (Deda). Este sempre dedicado ao trabalho, respeitado empresário nos ramos de transportes de passageiro, da construção de estradas e barragens, em toda a região, fazendeiro, criador, chegando a adquirir grande parte das terras das redondezas da Prata. Homem a quem Deus, por sua vontade soberana (é assim que eu creio) o fez prosperar em bens materiais, bem como, formando uma família rica também em respeito e dignidade publica. Casou-se com a Dona Lila – Josefa Lila Sousa de Lima, de que lhes nasceram os filhos – Jeane, Jane, Jean, Joane, Janean, Jessé Jr., João Pedro, Jone e Pricila.
Trazia, entretanto, uma marca que o diferenciava tanto dos protestantes que haviam chegado ao lugar no final dos anos trinta, através da Igreja de Cristo Pentecostal no Brasil, quanto da Igreja Católica Romana, à qual pertenciam os seus pais... Ele era ateu!... Estranho não? Mas, era isso mesmo!
Entre os fatos que registram a sua vida, está a aquisição de quase todas as terras em sua volta (nada contra ao fato), incluindo aquela porção onde fora edificada décadas antes, a igreja a que já fiz referência. As terras eram suas por direito, eram legais, mas sem poder imaginar o que passava pela sua alma ateia, imagino hoje, vendo-o mandar passar o trator sobre aquele templo evangélico...
Muitos são os testemunhos da sua vida e da clara rejeição de Deus. Basta saber como respondia aos próprios filhos quando a ele se dirigiam pedindo-lhe que os abençoassem... Bênção pai? E ele respondia: soi... Sequer pronunciava o nome de Deus.
No final do ano passado, inicio de dezembro de 2010, fizemos-lhes, Vera e eu, uma visita a família, a quem amamos e por quem nutrimos profundo respeito. Nunca nos afastamos dele pela sua forma de pensar e agir. Os filhos, convertidos ao evangelho, sempre mantiveram a sua fé, sem nunca desrespeitarem o seu genitor, mantido como líder e honrado como pai. Ainda que tenha visto a transformação dos filhos, para ele a Bíblia era coisa de homens... Céu e inferno? Isso é conversa, dizia ele... Chegou a ler muito a Bíblia, era uma forma de aprender nela, para contraditá-la.
Na nossa visita oferecemos-lhe uma Bíblia comemorativa da Igreja Presbiteriana Renascer da qual eu era pastor, em Campina Grande-Pb, quando ele fez um ar de riso e disse: isso é um livro como qualquer outro, é coisa de homens... Respondi-lhe com leveza de espírito, e respeitosamente como sempre o fiz – O próprio Deus, poderá falar ao teu coração, no dia em que assim o desejar, então, saberás o verdadeiro significado desta palavra. E, assim, nos despedimos e viajamos.

UM MILAGRE NA ACAUÃ

Passaram-se apenas alguns dias, e de repente, difunde-se uma estrondosa notícia nos meios familiares e no mundo evangélico que nos rodeia – Deda converteu-se – Jessé Salvador (Deda Salvador) agora é crente!
Como já conhecíamos a história do recalcitrante Paulo de Tarso, e como Deus o chamou, ofuscando a sua visão física e aclarando a visão da sua alma, fazendo-o cair da sua poderosa cavalgadura, chamando-o para o concerto e tratando-o com o Seu inconfundível amor; Sabendo como Deus tratara Moisés – Que nos seus primeiros quarenta anos achava poder tudo, descobriu na segunda etapa da vida que não tinha poder nenhum, até o seu encontro com o SENHOR no deserto de Midiã, e ali ele começou a compreender que qualquer poder que possuísse dependia unicamente do poder e da bênção de Deus em sua vida... A partir daí tudo mudou... Mas, esse milagre, ainda hoje é plausível. Jesus em sua revelação a João, diz: “           Eis que faço novas todas as coisas...” Ap. 21:5. E, sendo Ele Deus, e sendo Deus eterno, e sabendo que... “Estas palavras são fiéis e verdadeiras”. Resta-nos, pois, crer na obra salvívica de Jesus, dado por nós no calvário.
E, aqui, bem distante do gólgota geográfico de Cristo, mas junto ao calvário da graça, acontece um dos mais estupendos milagres, ao ateu, ao descrente, àquele que por setenta e sete anos, tratou com frieza e desprezo, o sacrifício do Mestre, Jesus.

COMO ACONTECEU

Tão distante do caminho de Damasco quanto do Monte Horebe, mas pertíssimo das mãos do Deus Altíssimo. Aqui na Acauã. Numa noite aparentemente normal, o nosso Jessé Salvador, Deda, vai tranqüilo para o seu repouso, certamente achando-se merecedor de um calmo repouso e de sonhos tranqüilos... Mas, ao meio da noite tem um sonho que lhe atravessa o peito, e faz doer as entranhas da alma... E, apavorado, desperta. Anda pela casa sem noção exata do que fazer até que resolve acordar sua Lila, e todos os filhos em casa... No sonho que conta, teve um encontro com o diabo, que teria vindo cobrar a sua ida, anteriormente já marcada (a data já estava acertada). Viu também coisas como labaredas de fogo e gritos agonizantes de pessoas sofrendo pelos dramas dos seus pecados. Ainda em sonho, lembra-se de Jesus Cristo, como se o visse à distância... Tomado de pavor, e agora, acordado, diz para a sua esposa: chame as meninas o Jesus que elas pregam e vivem é verdade, Ele existe... Digam também a todos os que conheço (e aí nominou algumas pessoas)  que eu agora sou crente em Jesus.
A partir daí segue-se um processo de mudança clara, de arrependimento, de pedido de perdão, e quem diria, um franco desprendimento dos bens materiais, que de vontade própria distribuiu ao filhos tudo o que possuía ( ainda possui). Havia uma pessoa contra quem havia desferido um tiro há alguns anos e de imediato o procurou para pedir perdão. Havia aprendido que com o poder de Deus não se brinca e que não há e não haverá poder que se assemelhe ao do SENHOR, o Deus da nossa salvação.

 PUBLICA PROFISSÃO DE FÉ

Alem de fazer questão que todos em sua volta saibam o que Deus fez com a sua vida, Jesse – Deda Salvador, passados cerca de seis meses da sua conversão, neste ultimo dia seis de junho, de 2011, agora aos setenta e oito anos, reuniu na sede da sua fazenda, Acauã, município da Prata, uma legião de amigos, parentes e irmãos na Fe. E, estando presentes diversos pastores da igreja de Cristo Pentecostal, da Missão Evangélica Pentecostal, Igreja Presbiteriana do Brasil (todos oriundos da terrinha, e pastoras da Igreja Nacional, de onde o mesmo se tornou membro, ele recebeu o batismo, fazendo a sua pública profissão de Fé.
Por tudo isto, somos gratos a Deus, e ao seu filho Jesus, Rei dos reis, Senhor dos senhores. Assim repito alegremente a estrofe desta canção que durante a minha vida, tantas vezes repeti: “Aceita oh Deus de amor, a nossa gratidão, pelo cuidado protetor e pelo pão. Oh vem nos saciar do pão dos céus também, a tua graça vem nos dar, por Cristo. Amem!
No amor do Mestre, e na fraternidade do Espírito.

Pr. Jose Salvador Pereira (IPB)

quarta-feira, 15 de junho de 2011

CRIANÇA...CUIDE BEM DESTE TESOURO!

Houve um homem cuja importância política, a cultura e a sabedoria, estão registradas como inigualáveis. Entre os escritos legados ele aponta para o grande valor da educação infantil, o seu tempo e os seus efeitos, e diz: “Ensina a criança no caminho que deve andar e quando crescer não se desviará dele.” Salomão. Este texto aponta para o ensino e a aprendizagem, para o ouvir e o praticar.
Diante de tantas barbaridades, violências, descasos, abandonos, proliferação da iniqüidade e friezas dolorosas, envolvendo as crianças da nossa geração. E frente ao gigantesco número de casos de desrespeito a vida, a honra e a dignidade humana perpetrados no coração da nossa geração... Esboço alguns questionamentos simples: Como temos usado o que aprendemos das gerações pretéritas, e o que estamos ensinando aos nossos filhos? Para onde caminhamos nós? O que legaremos à geração vindoura?
Asafe ( Sl.78: 1-8) retrata a necessidade da transmissão da Lei, de pai para filhos, de geração a geração...”Para por em Deus a sua confiança...Lembrar dos seus feitos..E para que não sejam como seus pais, geração contumaz e rebelde, que não soube reger o seu coração e que não foi fiel a Deus”
Quem está educando as nossas crianças? E como temos exercido esse magnífico ministério? Deixando-as nas mãos da TV, da Internet, da escola, ou da igreja onde passam o menor tempo da sua vida?
Pais, mães, familiares, professores, pastores, tutores ou, seja qual for a nossa relação com esses pequeninos, somos responsáveis para que o seu presente os prepare condignamente para o futuro que desejamos. “O que plantamos colheremos”
Por vezes nas nossas casas, abrimos a Bíblia, lemos e relemos suas histórias para elas... Mas, na prática da nossa vida, o nosso testemunho contradiz o que ouvimos e falamos. O belíssimo e bem ilustrado sermão do domingo, nem sempre reflete a prática do pregador... E, pensamos que as nossas crianças, por serem ainda muito novas não entendem a diferença entre o dizer e o fazer... E, um dia nos pegamos a perguntar “onde foi que eu errei”? Uma resposta simples surge imediatamente: “Errais não conhecendo as escrituras, nem o poder de Deus”
Gosto de pensar no que Cristo disse quanto ao que ouve e pratica a sua palavra, chama-o de prudente, e ao que edifica na areia classifica-o de imprudente.
A Bíblia ensina  claramente quanto a importância da sabedoria, da prudência e da obediência...Se a nossa geração sofre tanto por não colocar em prática esses elementos do ensinamento divino... Ainda é tempo de mudar: a) É hora de verificar o resultado do aprendizado; b) Corrigir o que os rumos das nossas práticas cristãs; c) Assumir, de fato, as nossas obrigações na transmissão fiel das verdades para a vida; e) Devemos ser exemplos, e dar testemunho da fé que pregamos;
Muitas vezes deixamos que  as crianças decidam, quando aquela decisão deveria ser nossa. Ouvi outro dia uma mãe  dizer para a sua filhinha de três anos, antes de atravessar uma avenida – Aninha pegue na mão do seu pai... Creio que ela deveria ter dito - Prudêncio segure a mão de Aninha.
Seja o nosso mais ardente  desejo ter filhos obedientes, então, sejamos uma geração sábia e ajamos com prudência. Cuidemos dos pequenos e valiosos tesouros dados por Deus, para o futuro da humanidade, com esmero, respeito, dignidade e amor cristão. “Amemo-nos uns aos outros”
Amemos os nossos pequeninos.

Com fraterno apreço. Pr José Salvador Pereira

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