domingo, 21 de abril de 2013

TRIBUTOS AOS ESQUECIDOS


Aos milhares de homens e mulheres, que a cada manhã, beijam os seus queridos, e deixam as suas residências, no desejo de cumprir com dedicação, denodo, coragem, e humildade, a sua nobilíssima função de preservação da ordem pública e a incolumidade das pessoas;

A esses milhares de homens e mulheres, que abnegadamente, entregam-se pelo dever que um dia juraram cumprir, com a convicção, de que o fazem não porque são pagos para isso, mas, pelo respeito à vida, à família e à lei;

A esses milhares de homens e mulheres, dos quais só nos lembramos, quando somos lesados, roubados, vituperados, e violentados ou  quando os atos da marginalidade nos atingem, quaisquer que sejam as suas formas;
A esses milhares de homens e mulheres, a quem deveríamos respeitar pelo que são e pelo que fazem, e não pela cultura que nos ensinou a olhá-los como sendo simplesmente – corruptos e violentos;

 A esses que havendo saído da mesma sociedade que nós, e assim como todas castas davídicas, juntos, reconhecem que “nascemos em pecado, e em pecado nos concebeu nossa mãe”, humanos, frágeis, carentes, mas obstinados e decididos a manter a cabeça erguida, “não por força, nem por violência” mas,  pelo fragor gracioso da dignidade e da honra;

A esses que deixam a cada manhã o aconchego dos seus lares, sem a menor garantia que ainda poderão voltar a beijar sua mulher e seus filhos, ou rever seus parentes;
A esses a quem foi “garantida uma carreira” cuja velocidade, sucumbe na lentidão, na inércia, no descaso e no esquecimento...

Ao Policial, que apesar de todos os ventos contrários, mantém-se, destemido, garboso, honesto, e pronto a cumprir a sua missão, se for o caso, defendendo a honra e a dignidade, com a própria vida;

O nosso mais sublime, honroso, e humilde tributo, com o registro da nossa dívida de profunda gratidão.


Deus salve a Polícia da Paraíba!

Deus salve a Polícia do Brasil!

José Salvador Pereira
Pastor  Presbiteriano
Delegado da Polícia Civil da Paraíba da Aposentado

terça-feira, 9 de abril de 2013

SENHOR, TENDE PIEDE DE NÓS, PECADORES


Quanta dor, quanta tristeza, tem causado a violência,
Ceifando vidas, sorrisos, sonhos mil, e esperanças,
Presenteando-nos lágrimas na fria dor das lembranças...
Apiedai-vos, SENHOR, pois, vos pedimos clemência!

Livrai-nos, da crueldade, dos malignos deste mundo,
Guardai as "Fernandas Ellens", livrai do cálice de horrores,
Homens, mulheres, meninos, ainda que pecadores...
Apiedai-vos de nós, com graça e amor fecundo.

Que alcance o vosso trono, esta humilde petição,
Pois, rogamos, genuflexos, a paz, de vossos favores,
Tende piedade de nós, frágeis homens, pecadores...
É o que vos imploramos, nas lágrimas desta oração!

Campina Grande, 09 de abril de 2013
Pr. José Salvador Pereira

sábado, 2 de fevereiro de 2013

SEGUNDA CARTA DE UM ZÉ, À SENHORA DO PODER!


ÁGUA OU MORTE! Transposição JÁ!



       Zé, da terra dos viventes, aqui dos sertões, dos cariris, e das ressequidas terras nordestinas, à Senhora mandatária da nação brasileira, e a todos os guardiões da ordem, das riquezas, dos poderes acumulados, da ética, da moral e dos bons costumes... E, também para os sem moral, sem bons costumes, e desprovidos de quaisquer resquícios éticos...


Querida e honrada senhora, escrevi uma primeira carta, sem que tivesse o privilégio de uma resposta, e certamente não a obterei; Não lamento, pois, quem, como eu, nascido no Brasil de terceiro mundo; nordestino, de quarto mundo; paraibano, que pela ordem deverá ser de quinto mundo; filho do Cariri, certamente de sexto mundo; e criado no sertão, que a essa altura, já se inclui no sétimo mundo.... E, para completar, recebi carinhosamente dos meus pais, o nome de Zé... Que olhos me olhariam e que ouvidos me ouviriam? Quem me daria atenção?

     Ainda assim, honrada senhora, volto a lembrar, que por aqui, somos milhões de meninos chamados Zé, e meninas chamadas Maria. Que ao longo dos últimos quinhentos anos, fomos roubados, vilipendiados, machucados, desconsiderados, e vitimados pelo esquecimento do poder dominante, e ainda assim, construímos o que hoje temos, pagamos os nossos impostos, produzimos, dedicamos os nossos conhecimentos, e entregamos a nossa própria vida, para ver a nação brasileira no podium da liberdade, da independência econômica, e para que pudéssemos legar aos nossos pôsteres, um mundo mais digno, onde o pão de cada dia fosse posto em todas as mesas.
Assim, digníssima senhora, ouso relembrar, que há séculos, não há pão na mesa dos nordestinos, aliás, que também não temos mesa.

     Agora, nesta segunda missiva, tenho a honra de refazer a petição anterior, no sentido de que o Nordeste seja lembrado, antes que a seca mate o que ainda resta; antes que se esvaia o restante das verbas destinadas à transposição do Rio São Francisco; antes que o futuro se torne em lamentos, pelo que poderia ter sido feito, e não se fez; antes dos próximos pedidos de votos... Antes que seja tarde demais.

     Visite senhora o torrão que ainda é nosso, caminhe pelas nossas veredas, pise na aridez dos nossos últimos suspiros... Pode vir no nosso avião, sabemos o quanto é precioso o tempo dos que se entronizam no difícil e inóspito trono da alvorada. Prometo que a aplaudiremos quando a poderosa aeronave presidencial, tocar o solo nordestino... Apesar da aparência rude, somos cavalheirescos, e de lhano e respeitoso trato.
ÁGUA OU MORTE! TRANSPOSIÇÃO JÁ
E, por fim, nos postaremos a ouvir o mais esperado de todos os gritos – ÁGUA OU MORTE! Transponham-se as águas do Rio São Francisco! E viva o povo nordestino! 


Viva o Brasil! 

Viva a esperança!.
Sou apenas mais um Zé,
Filho feliz do Nordeste,
Onde a seca se repete,
Mas, não perco a minha fé.
É a rogatória que humildemente subscrevo.

José Salvador Pereira.

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