sábado, 15 de outubro de 2011

O IMPORTANTE É SER AMIGO

Ao longo da vida apreendemos o quanto é bom ter amigos, e que sem eles seríamos cada vez menores, mais esquecidos e solitários.
     Na semana que precede o dia do amigo, os meios de comunicação fazem enquetes, questionam pessoas de todas as idades, níveis sociais, autoridades e crenças religiosas diversas, com uma pergunta aparentemente simples: “o que representa um amigo pra você?” E as respostas, ainda que variadas, apontam sempre para uma visão do ser apoiado, ter companhia, ter com quem dividir suas dores, alguém com quem chorar e alguém que seja um (a) companheiro (a), ou seja, há uma clara visão do ter, do receber, do ser beneficiado, da âncora, do apoio que necessitamos. Nesta visão, serão facilmente observados quaisquer atos que não satisfaçam os nossos desejos por parte de quem tudo esperamos. E celeremente surge uma visão de falácias incorrigíveis e imperdoáveis... E então a amizade se vai...
     E se tivéssemos uma visão inversa do que é amigo, e simplesmente pensássemos no SER AMIGO, ao invés de TER AMIGOS? Certamente descobriríamos o quanto é valoroso dar, ao invés de receber, servir ao invés de ser servido, ir e não esperar, ouvir, e não somente ser ouvido, então, compreenderíamos o quanto é nobre ser um amigo e a este poder servir, ainda que dele nada  esperemos receber em troca.
    Uma das mais brilhantes lições sobre o tema é ensinada pelo Mestre Jesus, Ele diz: Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a  sua vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando... mas, tenho vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi do meu Pai vos tenho feito conhecer”(Jo. 15:13,14,15b).
    Não devemos esquecer que os nossos amigos nesta vida, esfriam, falham, esquecem, erram, traem, abandonam, engendram, maquinam, enganam... E tudo isso ocorre por um único motivo: eles são, pensam, falam e agem como nós, nos mesmos sentimentos pecaminosos e egoístas. Desejamos, pensamos e lutamos para ter amigos que nos sirvam... Mas a lição do Mestre é diversa: “sejamos servos uns dos outros.”
     Assim, é mais valioso ser amigo, do que simplesmente tê-los. Sejamos amigos... [Sirvamos, em amor, sob os auspícios da Graça.]
Rev. José Salvador Pereira
    

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

O BRILHO DAS ROSAS



Presenteiam-se rosas. É, presenteiam-se rosas nas mais inusitadas ocasiões, e para as mais diferentes pessoas, e pelos motivos os mais diversos. Presenteiam-se rosas em unidade e em buquês, em quantidades e tipos do comum ao exagero.
 Conta-se que uma jovem, deslumbrada com uma única rosa, entendeu que em cada pétala estava escrito um poema de amor e um convite de casamento... E ela correu para o altar.  Li em alguma fonte que outra pessoa, (não estou exagerando), recebeu um buquê, de aproximadamente uma tonelada de rosas, expressando um único desejo, e uma pergunta: você quer casar comigo? E a resposta foi NÃO!
As rosas estão presentes nos episódios mais impressionantes da vida humana – no namoro, no casamento, na gravidez, no nascimento, na gratidão, na despedida, no reencontro, na reconciliação, ao pedir perdão, ao perdoar, na enfermidade, e na morte. E, de fato, este é um dos momentos em que as rosas literalmente envolvem o personagem.
Elas enfeitam casas, clubes, hotéis, restaurantes, passarela de nubentes, igrejas, navios, repartições, barcos, o peito das testemunhas, o cabelo das meninas, enfeitam rios e lagos, e enriquecem os jardins. E por fim enfeitam as cruzes, os túmulos e os cemitérios.
As rosas estão entre os presentes mais belos que alguém pode dar ou receber, e por algum tempo exalam um perfume fascinante, expressam profunda ternura e esvaem-se numa fragrância inigualável... Mas, só por pouco tempo. E sem que percebamos, elas murcham... Elas fenecem, levando consigo o marcante contraste entre a dureza dos espinhos e a ternura das suas pétalas.
Há um hino que diz, em uma das suas estrofes:
Quando aqui as flores já fenecem,
As do céu começam a brilhar.

Então compreendo que, as nossas belezas, expectativas, sonhos e projetos, comparam-se as rosas daqui - lindas coloridas, perfumadas,  pujantes e magníficas, no entanto, não suportam uma tarde de sol ou o calor do meio dia. Brilham pela manhã secam-se à tarde, e simplesmente, fenecem!
Então, trago à memória que ao invés das coroas daqui, devo dirigir os meus sonhos e esperanças para o alvo que me está proposto, para que, quando se manifestar o Sumo Pastor, eu receba a imarcescível coroa da glória (1 Pd. 4:4), esta sim, será formada com as pétalas da fé e do amor, como resposta à obediência e como premio à perseverança no SENHOR... A preciosa Rosa de Sarom, cujo brilho não desaparecerá ao sol, nem fenecerá a mais profunda escuridão da madrugada... Esta brilhará para sempre, trazendo alegria para grandes e pequenos, para príncipes e plebeus, para os vivos e para os mortos. Para os vivos pelo gerar da esperança eterna, e para os mortos pela conquista dessa esperança, como espaço real prometido aos que perseveraram no SENHOR.
E assim, temos a certeza de que nos jardins celestiais, as rosas não terão espinhos, e jamais fenecerão, pelo contrário, a cada momento elas brilharão mais e mais, e se expressarão na indescritível visão do Cristo, que ressurgiu e agora está glorificado!  
Soli Deo Glória!

Rev. José Salvador Pereira

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O SILÊNCIO DA CRUZ

         “... Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito. “Mt.  19:30 b
           O texto acima transporta-nos a um momento de extraordinária mudança para a humanidade, e em especial para os discípulos de Jesus, o Cristo de Deus, que somente no instante do ecoar dessa expressão tiveram a certeza de que nenhuma mudança seria perpetrada pelo Pai, nem pelo Filho que acabara de inclinar a cabeça, ao pronunciar a sua ultima frase para aquele momento. O consumatum est, parecia o fim. Era entretanto, um sermão de uma  única frase. Uma despedida em duas palavras. Eram dois verbos exprimindo a mais importante de todas as ações de Deus, em favor da humanidade inteira. Era um aviso que dizia: A obra do Pai está completa. Certamente nem todos os presentes àquele ato compreenderam ou mesmo aceitaram o fato, e se dependesse deles, provavelmente aquilo não teria acontecido, mas era o querer do Altíssimo... E, agora a cruz parecia silenciar para sempre.
          Silenciando a cruz, o que seria de nós? O mestre com os seus ensinos maravilhosos se fora, O líder de propostas eternas, tão fascinantes quanto estarrecedoras, para o mundo, despedira-se em definitivo, o plantador do novo reino, de paz e de esperanças, deixara solitários os seus súditos. A voz da cruz parecia silenciar. Salvo-me do desespero quando leio Mateus 27, que narra o episódio salvívico permitindo que entendamos que ainda que a cruz  tivesse se calado, os céus continuavam dizendo – Jesus voltará, pois , o rasgar do véu do santuário, as profundas trevas que cobriram toda a terra, o tremor da terra,  o fender das pedras, o abrir dos sepulcros, de onde ressurgiram os santos, simplesmente confirmavam que a vontade do Pai havia sido cumprida. E Ele não permaneceria sob o túmulo para sempre. E a cruz ali decretava o silêncio da sua ignomínia, da crueldade infame que até àquele instante imprimia sobre a humanidade, para depois, levantado Cristo do túmulo, ressurgido de entre os mortos, essa cruz voltaria trazendo a memorável mensagem de esperança e fé, não mais como “emblema de vergonha e dor” mas, como objeto de valor inestimável que uma vez conduzida pelo fiel perseverante, proporcionará o mais importante de todos os negócios feitos na terra dos viventes – o trocar a cruz por uma coroa. (“Pois, um dia, em lugar de uma cruz, a coroa Jesus me dará”) Conduzamos, pois, a nossa cruz, não permitamos que as aflições, as tribulações, ou quaisquer investidas do inimigo a silenciem. Deixemos que a cruz fale mais alto, não apenas por palavras, mas através da nossa vida. Deus Seja Louvado!
Rev. José Salvador Pereira

BIBLIA ONLINE